Me distrair é disso que eu preciso pra tirar essa dor no lugar onde está o coração.
Lentamente vou entrando no mundo do sono... a paz vai tomando conta de mim, devagarinho.
O vento sopra forte, o barco balança no mar, meu corpo ignorando toda e qualquer atitude lógica se joga ao mar... as ondas volumosas, frias brincam com ele... sou um joguete jogado pra lá e pra cá, ao sabor do mar... salgado. Minha garganta arde, mas meus olhos ficam fixos em um ponto... é lá que quero, que devo chegar. Uma criança sorri e estende os braços em minha direção. Quero gritar: 'Espere! Espere!', mas não tenho tempo o corpinho, que se lançou na minha direção, é engulido pela imensidão do mar... não mais azul. Não há nada a fazer, deixo-me ser engolida também. Mas o mar... o mar não me quer e me devolve à superfície a cada tentativa minha de submergir...
... e eu me arrasto pra fora dos pesadelos que me assolam a noite toda, toda noite. Não há vento, não há mar, não há uma criança a me acenar... a dor no coração... tão forte... se espalha até o fim de mim.
O sol... preciso me distrair. Vou sair... preciso de um alívio, por um momento que seja, mas preciso... e irei atrás de um pouco de paz.
Tomo café com leite bem quente, como uma fatia de bolo de limão que a querida Larissa fez pra mim. Meu marido me acompanha... tomamos suco de laranja, comemos mamão e maçã. Terminamos o café com um prato de morangos... e com 'viva um dia feliz'.
Era assim... tenho de trazer de volta essa vida antes de enlouquecer de vez.
Saio... só pra me distrair.
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