Acho que a morte é a solução pra um monte de coisas... e eu não posso nem morrer. O perdão é a solução pra um monte de coisas... e eu não consigo perdoar... nem tenho vontade de perdoar.
Se a morte não chega por conta própria na vida de alguém, e esse alguém quer a morte... ele pode se matar e fim. Mas eu não posso, nem isso posso. Até o direito de me matar a vida me tirou.
"Mamãe, olha o palhaço!" Tudo aconteceu tão rápido, foi questão de segundos. Virei, e meus olhos cruzaram com os olhos do palhaço... vi o sorriso do palhaço, de relance vi sua mão com um balão estendido na direção de meu filho.... a cor do balão... era vermelho ou era amarelo...
Meu filho largou minha mão, correu na direção do palhaço, do balão. E eu me desequilibrei. Bati no carrinho da bagagem. A sacola de lanches que estava em cima de tudo caiu.
Biscoitos... sanduíches... a garraafinha de água... tudo espalhado pelo chão. As laranjas... as três laranjas rolaram. Odeio laranjas ... elas são redondas e rolam... não caem e ficam onde caíram. Por que as laranjas são redondas? Por que levei laranjas? Nós poderíamos passar muito bem sem as laranjas.
Mas eu com a minha mania de que sempre tem de levar mais... e mais, pra quê?
As laranjas rolaram pra baixo de um banco e eu tinha de pegá-las... as malditas laranjas. Me arrastei embaixo do banco.... alguém, sem querer, chutou uma delas... e eu fui atrás. Meu Deus por quê?
Mas eu consegui. Eu consegui pegar de volta as três laranjas. Meu marido e uns passantes juntaram o resto do lanche que tinha se espalhado pelo chão. Graças a Deus... tudo normal.
E aí eu olhei na direção do palhaço.... dos balões... coloridos... como a vida deveria ser.
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