Um filho não deveria morrer antes de seus pais. A natureza deveria sempre seguir a ordem social natural: primeiro os mais velhos.
Mas todo mundo sabe que não é assim. Quando chega a hora de alguém, chega a hora e fim. É realmente o fim pra esse alguém. Então, pais vão antes de filhos; filhos vão antes de pais; antes de avós... O que conta, no fim das contas, não é o tempo maior de vida. O que conta é o tempo de vida que cada um deve ter, o tempo que cada um ganha ao nascer... e quando esgota o tempo, fim!
Enfrentar a morte não é fácil, eu sei... já vi, já soube de muitas mortes. Soube do sofrimento deixado pela partida de alguém querido. E quanto mais querido, maior o sofrimento, maior a dor.
Quando morre alguém, todo mundo sabe que é inevitável o acordar no dia seguinte e não mais a pessoa encontrar. Fica um vazio... um vácuo... um buraco no estômago, no coração... fica faltando um pedaço... sim, é bem assim.
Mas a morte, em comparação ao desaparecimento, tem algo de melhor. A morte é definitiva, é um soco no estômago uma vez só... depois é só se contorcer, até a dor ir passando devagarinho... devagarinho. Tudo vai ficando lá atrás, distante dos olhos, no tempo - até fica guardadinho no coração, mas a pessoa não fica alimentando a esperança de dobrar a esquina e dar de cara com quem morreu; não espera atender o telefone e ouvir a voz de quem morreu; não espera que batam toc-toc na sua porta e... não, e não. É nunca mais pra sempre.
Agora quando alguém some de diante de seus olhos, levado pelas mão de um palhaço, você não tem como não ter esperança... e daí, você não espera que batam na sua porta, não. Sabe o que você faz? Você vai atrás.
Separação é muito pior do que morte... ter esperança de que vai reencontrar é muito pior do que ter a certeza de que é pra nunca mais. Morrer é definitivamente definitivo, é pra sempre.
Separação, não... pode voltar a qualquer instante; então você fica esperando... correndo atrás e esperando. E o que dói mais é não saber por onde procurar... é não saber onde meu filhote está... como ele está... se está!? Ou não está mais?
Uma resposta à última pergunta talvez diminuisse um pouco mais a minha dor... ou não.
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