sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Abro bem os olhos... está cada vez mais difícil. É um ato tão normal, praticamente voluntário abrir o olhos. E eu preciso fazer um esforço imenso, que me cansa... tudo me cansa.

Levanto do sofá devagar. Queria correr, mas não consigo mais. É o medo que paralisa minhas pernas? Como é viver um dia sem medo... sem o peso que pesa em meus ombros? Saudades de um tempo ali atrás. Tudo era tão leve.

Vou na direção da janela, afasto a cortina, a claridade fere meus olhos doídos, cansados. Vislumbro um casal se aproximando do portão da minha casa, meu marido abre o portão... os dois entram. Têm um papel nas mãos, conversam, olham para o papel, gesticulam. Nenhum sorriso.

Tenho de sair, penso. Vou na direção da porta, meus passos trêmulos, o chão duro da sala parece ter se transformado em areia movediça. Cada passo é um esforço fenomenal. Chego até à porta. Levei quase uma eternidade. Abro a porta em tempo de ver meu marido acenando para o carro que se afasta.

Ele se vira e encontra meus olhos. São dois pares de olhos cansados... que querem se fechar, que querem lutar, que querem continuar, que querem parar.

O mundo parece ter se transformado num hospício gigante. Eu choro.

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