Meu amado marido vem na minha direção. Seus olhos permanecem cravados nos meus. Ele não diz nada... há alguns dias que trocamos pouquísssimas palavra. Nossos olhos já dizem tudo o que temos pra dizer.
Ele me abraça e carinhosamente segue comigo até o sofá. Sentamos... outra coisa que tem acontecido cada vez com mais frequência: sentar... passo a maior parte do meu dia sentada. Deito minha cabeça no seu peito e me deixo ficar.
A memória me trai. Não quero pensar em nada, não quero lembrar de nada. E ela, traiçoeira, traz meu filho, o sorriso do meu filho, as gargalhadas do meu anjinho. Fecho os olhos pra não ver, aperto os ouvidos pra não escutar... mas é tudo tão inútil... tudo é tão inútil.
Como uma estrela que já morreu, sou eu. Apenas o brilho se pode ver... e no meu caso um brilho tão opaco, tão morto.
E eu tenho de continuar. Pra quê? Se um dia até esse brilho que restou vai terminar? Mas eu não posso me apagar, simplesmente não posso.
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