quinta-feira, 20 de junho de 2013

Como é difícil olhar nos olhos das pessoas... às vezes. Dizem que os olhos são as janelas da alma - um clichê, eu sei...

Não encarei meu marido naquele dia... e não me lembro de quando consegui olhar nos olhos dele de novo.

Não queria ver o que estava na alma dele... mas, acima de tudo, não queria que ele visse o que se passava na minha alma.

Dor? Você já sentiu dor... que eu sei. Todo mundo sente... então multiplique por centenas de vezes a sua pior dor... você vai encontrar o tamanho da minha dor.

Incapacidade... eu era a responsável por um garotinho e eu simplesmente o perdi... como se perde uma carteira, um livro, um documento. Eu não poderia ter perdido meu filho... não poderia e fim.

Eu sempre achava que mãe era onipotente quando se tratava de filhos... eu achava...

Eu me deixei ficar no sofá enquanto meu marido telefonava para seus pais - primeiro - e depois para os meus... Ouvia o som da sua voz, mas as palavras não tinham sentido nenhum para mim... eram zunidos...

'Eles estão vindo para cá', ele me falou... 'só pedi a eles que viessem para nossa casa, não falei o que aconteceu'.

Eu olhei horrorizada para ele... quem falaria? como falaria? o que eles vinham imaginando no caminho que tivesse acontecido para serem chamados à nossa casa?

Meu Deus! Tem de haver um Deus que vai colocar meu filho de volta no exato lugar onde ele deve estar... o lugar de onde ele nunca deveria ter saído.

Levantei-me e fui ao banheiro... e vomitei... e vomitei... e vomitei...

Saiu tudo de dentro de mim. Agora eu era uma casca oca ambulante... e assim permaneceria até encontrar meu filho - decisão tomada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário