Inércia - das leis de Newton a que tomou conta de mim no momento em que meu marido me empurrou em direção ao táxi foi uma das mais fáceis: a da inércia. Se meu marido continuasse me empurrando indefinidamente eu seguiria empurrada indefinidamente.
Quando chegamos em frente à nossa casa, e o táxi parou, meu marido teve de me arrancar à força de dentro do carro.
Você deve estar pensando que eu estava chorando desesperadamente. Não, não estava... a lei da inércia definitivamente havia tomado conta de mim. Eu havia fechado minha boca, minha cabeça, meu coração.... e não ia fazer nenhum movimento contrário.
Uma força externa era necessária para que eu me movesse. Fui puxada para fora do carro, empurrada na direção do portão de nossa casinha, empurrada porta a dentro. Fiquei de pé parada... não via nada, não pensava em nada... não sentia nada...
Congelei... se o meu filho não está aqui comigo, eu não quero viver. Não, não é o que você está pensando... não que eu quero morrer... não é isso. Simplesmente não quero viver.
Vou continuar respirando, respirando, encostada na vida.... encostada, ouviu bem!?
Tudo o que acontecer daqui pra frente vou empilhar em uma estante em minha cabeça e deixar lá... criar teia de aranha, encher de pó... vou manter uma sensação de que não estou andando e de que o tempo não está sendo deixado pra trás.
Dor? Não, não sinto dor.... se eu sentisse seria uma dor de matar... e eu não posso morrer. Se meu filho voltar amanhã, ele tem de me encontrar aqui... e então eu vou esperar.
Inércia..... Apertei pause....
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