A dor no meu coração ainda era dilacerante. A vontade era de entrar em um buraco e ficar pra sempre... parar de respirar... ou enlouquecer.
Queria enlouquecer. A vida não é nada justa, deixa-me com a mente tão clara, tudo é tão nítido, consigo ver com os olhos da alma cada segundo que passa. Se a vida tivesse qualquer consideração por mim, certamente me deixaria enlouquecer... deixaria que eu mostrasse uma contradição no interior da minha razão - que continua presente... apenas presa ao fio da esperança.
O resto tudo seria pura loucura. Mas a vida não está se importando muito com o que está acontecendo comigo. O mundo não está interessado.
O sol nasceu forte, brilha no céu, fazendo tudo brilhar aqui embaixo, aquece com seu calor tudo o que toca... menos, é claro, as mãos do meu amado.
Eu estava sentada acordada no mesmo lugar do sofá, onde tinha tomado o chá e o remédio que, de acordo com a bula, iria me fazer dormir, pelo menos umas quatro horas.
Não dormi nada. Às 9 horas da manhã meu marido me trouxe um copo de leite e uma fatia de bolo - que minha vizinha tinha trazido em sinal de apoio. Ao meio-dia eu consegui engolir o último pedaço de bolo e tomar o último gole de leite.
Eu estava morta por dentro e conseguia comer - quem quer sobreviver? Sou eu? Ou a vida tomou minha vida em suas próprias mãos e a manipula conforme seu bel-prazer? A tristeza me envolvia como a noite envolve o dia e o faz simplesmente desaparecer.
Decidi ir à rodoviária. "fazer o quê?", perguntou meu marido.... 'Não posso ficar sentada aqui sem fazer nada... vou sair e procurar meu filho.'
Me agarrei ao pensamento positivo. Não é assim que funciona? Você projeta e acontece. Pense positivo: 'você vai encontrar seu filho, sentadinho no banco esperando por você'. Visualize seu filho vindo em sua direção e abraçando-a bem forte.... sinta as mãozinhas dele, os bracinho dele ao redor de seu pescoço... sinta a maciez da pele do rostinho dele... afague os cabelos.... imagine... crie essa imagem e vá na direção dela. É isso que os manuais dizem, não é?
Eu aprendo rápido... fiz exatamente tudo o que eles pregam...
Eram 14h:20min quando os meus olhos se fixaram no banco imaginado tão fortemente... Eu havia criado a imagem, eu sabia que se acreditasse com todo a minha força eu conseguiria.
Eu sabia exatamente o que eu queria... não havia dúvidas na minha mente, dúvidas que pudessem se intrometer entre minha vontade e a realidade.
Parecia que o tempo não havia passado... que ainda era ontem. Seria uma alucinação?
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