Voltamos pra casa de mãos vazias.
Às vezes, saímos pra fazer compras e não encontramos o que queríamos. Vamos ao shopping em busca de uma roupa, de um calçado e não encontramos o que procurávamos. Voltamos de mãos vazias... planejamos ir outro dia, ir a outro lugar para conseguir exatamente o que queremos... ou, no máximo, compramos outra coisa em substituição ao que realmente queríamos.
Queria que fosse fácil assim. Voltar pra casa sem nosso filho e dizer: 'tá tudo bem... amanhã a gente vai a outro lugar, talvez ele esteja lá'. Ou talvez pegar outro garoto em substituição ao que nos foi levado... E seguir com as atividades cotidianas...
Mas não é. Eu queria chorar, queria gritar, esmurrar o mundo. Mas do que iria adiantar? Nada disso colocaria meu filho de volta em meus braços. E eu também estava preocupada com o pai de meu filho: suas mãos continuavam tão geladas...
Eu me fiz forte. Engoli o choro, disfarcei as lágrimas que teimaram em escorrer dos meus olhos... e segurei as mãos dele entre as minhas. Eu tinha de aquecê-las.
Concentrei minha atenção nisso... tentei, pelo menos.
Mas meus olhos não paravam.... eles procuravam meu filho pelas ruas. Pensava que poderia encontrá-lo em algum sinal... de mãos dadas com alguém.... ou mesmo sozinho, chorando, perdido.
Imaginar onde estaria meu filho foi a pior parte de toda esta história. Nenhuma imagem colorida, agradável.... em todas elas, ele estava triste, chorava, tinha frio ou tinha fome... queria sua mamãe e seu papai... queria o vovô, a vovó... a bisa.... queria o tio, a tia, o amiguinho da escola... a profe... queria alguém que fosse conhecido... queria sua casa, seus brinquedos. Queria sua vida de volta. E sempre tudo estava preto e branco.
Onde está Marquinho?
Arrisquei olhar o rosto de Marco Aurélio. Era impossível sentir com precisão o que ele estava sentindo, o que estava se passando na sua cabeça. Qual era o tamanho de sua dor?
Dor é dor.... e ponto final.
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