quarta-feira, 3 de julho de 2013

O que é a esperança?

Fiquei ali num montinho... uma massa informe. Naquele momento toda a minha vida se resumia a respirar...

Meu marido se abaixou e me abraçou. Suas mãos estavam frias, muito frias. Levei um choque. Ele era um homem de mãos quentes, sempre. Eu é que tinha as mãos frias...

Ele me ajudou a me erguer e ficou me segurando em seus braços... e eu só sentia suas mãos geladas acariciando meu rosto. Ouvia vozes, mas não distinguia as palavras.

Meus pais chegaram e me abraçaram. Continuavam as vozes... sons sem sentido nenhum pra mim.

'Como foi que aconteceu?' 'Onde está o corpinho dele?'

Como se tivesse acordado de um pesadelo, olhei pra eles assustada. 'Como? Corpinho? Como assim?'

Na hora me dei conta de que eles estavam entendendo tudo errado... 'Não, Marquinho não morreu', disse.

O olhar dos meus pais e de meus sogros pedia uma explicação. E houve a explicação: 'Alguém levou nosso menino'.

As pessoas reagem da forma mais inesperada possível. 'Oh! É isso?... Então nós vamos encontrá-lo, não vamos parar até encontrá-lo. Pronto. Está resolvido', disse papai. 'Pensávamos que ele estivesse morto, mas não.... e isso é ótimo', completou.

Pegou o celular e começou a fazer mil ligações... os amigos - sempre há um que é amigo de um policial, que pode auxiliar... que sabe como proceder, que já passou pela mesma situação... 'Tudo será resolvido', dizia ele o tempo todo.

Eu arrisquei encarar mamãe e meus sogros. A esperança estava estampada em seus olhos... era tão forte que era impossível não acreditar que Marquinho não estaria de volta logo, logo.

Meu Deus eu não tinha esperança nenhuma, e eles estavam cheios dela.

Eu não poderia tirar isso deles... Sabia que sofriam e sofreriam mais ainda se eu tirasse um milésimo da esperança deles. Eles tinham fé... eu não.

Sorri acho que o sorriso mais débil que já apareceu no rosto de alguém. Fiz que sim com a cabeça... num sussurro (não consegui mais do que isso) disse 'sim, vamos'. E tentei trocar a dor nos meus olhos por esperança.... acho que consegui porque eles continuaram sorrindo, fazendo planos, telefonando...

Minha mãe logo foi pra cozinha fazer um chá pra todos. Meu marido continuou me abraçando carinhosamente - mas as mãos pareciam cada vez mais frias -, meu sogro telefonando para todos os seus amigos, minha sogra ligou pro resto da família.

Uma hora depois, minha casa estava cheia de gente, cheia de boa vontade de ajudar e com uma certeza de que Marquinho logo seria encontrado, logo estaria de volta.

Meu cunhado médico trouxe comprimidos de clonazepam para eu tomar...

Mas o sol me encontrou ainda acordada....



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