terça-feira, 2 de julho de 2013
Olhei meus sogros.
Você sabe exatamente quanto de dor você consegue suportar, mas não sabe quanto o outro consegue. Como é que é a dor pro outro? Com que intensidade meu sogro sofreria ao saber o que havia acontecido? Marquinho era o neto preferido dele. Foi amor incondicional desde a Maternidade. Vovô Adriano - vovô Iano, como Marquinho o chamava - foi a primeira pessoa que segurou meu bebê no colo, depois de mim e de Marco.
Foi olho no olho, amor à primeira vista.
E agora estávamos aí meu marido e eu prontos pra dizer que havíamos perdido nosso filho, neto querido dele.
'Chega de aflição... digam-nos o que acontece!', falou ele com a voz mais calma do mundo.
Eu fiquei escolhendo as palavras... não queria que fosse um choque. Queria dizer bem devagarinho que 'nosso filho não estava mais conosco' - não assim não poderia dizer, eles pensariam que Marquinho estava morto (e ele não estava). 'Perdemos Marquinho'.... pareceria pro resto da vida que o tínhamos largado, como se larga uma mala qualquer, num canto qualquer e quando se volta pra buscar não está mais lá.
Como dizer?
Eu esperava que meu marido falasse. E ele esperava que eu explicasse...
Fui até a porta, abri e saí de dentro de casa. Olhei pro céu, a lua brilhava e as estrelas bruxuleavam como se quisessem me dizer bem baixinho: nós sabemos onde seu filhinho está.
Eu me joguei no chão e gritei, gritei mil vezes o nome de meu filho com todas as minhas forças....
Até hoje eu ouço o eco da minha dor....
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